quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma discussão que pode mudar a sua vida... Primeiro capítulo.

Bem, amigos... Como diria o Galvão Bueno, meus amigos publicitários ou quase, existe uma discussão acontecendo cujo resultado pode mudar a sua vida. Você sabia? Sabia que existe um racha entre dois grandes grupos de pensadores da propaganda: os pró-regulamentação e os contra-cruz credo-nem pensar-regulamentação? Os primeiros, representados aqui pelo publlicitário catarinense Elóy Simões e todos os ComGurus, defende que a passagem por um curso superior e a prática do estágio são fundamentais para a formação do publicitário, e portanto devem ser obrigatórios. Já o pessoal do contra, que está no próximo post, acha que isso é reserva de mercado pura e simples, e vai privar a propaganda de gente talentosa de outras áreas. Seu representante é Armando Ferrentini, da revista Propaganda.

Com a palavra, os PRÓS:

"A imprensa vive chamando investimento em comunicação de marketing de gasto. Os publicitários calam-se, a sociedade acredita, as autoridades começam a cair em cima dos anunciantes e das agências.
O poder público, cada vez mais, quer regulamentar, à sua maneira, a publicidade da cerveja, dos produtos para criança, e algumas centenas de propostas que circulam no Congresso Nacional mudando alguma coisa no setor. E os publicitários estão festejando.
O governo volta-se, agora, através da Anvisa, para a publicidade de produtos que contêm açúcar, gorduras e sódio. E os publicitários não estão se incomodando.
O governo federal coloca um jornalista para cuidar de sua verba de publicidade. E os publicitários parecem não estar vendo.
A última moda é regulamentar a publicidade via celular. E os publicitários não estão ouvindo.
Autoridades começam a colocar em dúvida a auto-regulamentação, atingindo, por tabela, o Conar. E os publicitários não se incomodam.
Mas afinal, o que está acontecendo? Por que um setor tão dinâmico não toma as rédeas da sua própria sorte?
Porque este é um setor sem limites, desprotegido, onde qualquer um pode entrar, praticar, abusar. Onde, porque não tem limite, não tem defesa. Cujos membros acham que basta o talento. Ética, respeito e auto-respeito profissional têm pouca importância. Mais ou menos assim: falem, mas falem de mim. Enquanto eu estiver faturando, tá bom.
Isso acontece por duas razões:
Primeira: regulamentação profissional. Há um projeto, pelo que se sabe, tramitando na Comissão de Educação do Senado, de autoria do ex-senador Leonel Pavan. Algumas sessões públicas foram realizadas, e com exceção do Cenp e da Abap, o assunto mereceu o apoio dos vários setores profissionais e até empresariais. Com ressalvas, porque de fato o conteúdo do projeto não é bom. Mas o SAPESC – Sindicato das Agências de Publicidade de Santa Catarina - corrigiu isso ao apresentar uma excelente proposta (veja link abaixo). Pois bem: o projeto e a proposta estão lá, dormitando. Profissionais, estudantes, agências, não se arriscam a dar um pio, em defesa dos seus interesses e dos interesses do setor.
Quem conhece a maneira de atuar da Abap sabe porque as coisas estão paradas.
Segunda: o Congresso Brasileiro de Comunicação de Marketing. Se você sair perguntando vai ver que oito em cada dez publicitários querem que esse evento aconteça. E ele não sai, embora o último tenha acontecido na década de setenta do século passado. E apesar de o mundo, a sociedade, a economia, o consumidor, a comunicação de marketing e tudo o mais terem dado várias cambalhotas de lá para cá.
Por que ele não acontece? Porque a Abap, essa entidade que representa pouco mais de sete por cento das agências brasileiras, não quer. E porque a Fenapro, representante de todas as agências não abre a boca.
Enquanto isso, profissionais do setor, estudantes, agências, anunciantes fingem que não sentem o gosto amargo de propostas e de iniciativas que são tomadas todo dia e que interferem na sua atividade."
(Texto publicado no site ComGurus.com)

Um comentário:

Mariel disse...

A classe de publicitários sempre foi muito "tranquila" em relação ao seus direitos. Mas eles estão percebendo que a batata está esquentando e alguns estão mudando seu ponto de vista. Um exemplo disso é comercial da Abap em resposta às críticas que estavam surgindo sobre as campanhas das empresas cervejeiras. Vídeo de bom gosto, inteligente e direto. Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=n4hUgSw1QAA

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