quinta-feira, 15 de maio de 2008

Uma discussão que pode mudar a sua vida... Segundo capítulo.

Bom, o grupo que defende a regulamentação da atividade publicitária está muito bem representado pelo Elóy Simões aí embaixo. Agora é a vez de quem não vê vantagem nenhuma, muito pelo contrário, na regulamentação da profissão. É o pessoal do "deixa disso", com o texto de Armando Ferrentini, diretor-presidente da Editora Referência, que publica as revistas Propaganda, Marketing e o jornal Propaganda&Marketing.

"Profissão aberta

Fora do eixo Rio-São Paulo está se esboçando um movimento estudantil na área de Comunicação Social em busca da regulamentação da profissão.
Não seria preocupante se algumas escolas do setor, seus diretores e mestres resolvessem não surfar na onda. Lamentavelmente, porém, não é o que se vê.
As escolas e seus diretores, por interesses bem localizados, e os mestres, por amizades e até por vocação de fazer média com os alunos, fogem da defesa da profissão, optando por defender a reserva de mercado para os futuros profissionais que têm em mãos, deixando de refletir sobre o empobrecimento que a regulamentação trará ao mercado publicitário brasileiro. C
onsiderando-se que, em linhas gerais, a regulamentação possibilitará somente aos formados pelas faculdades de Comunicação Social o trabalho como publicitário, fácil concluir sobre o estreitamento do funil para o surgimento de novos grandes talentos no futuro.
Desde a instituição dos cursos de graduação em Comunicação Social em nosso país, nos anos 70, os maiores nomes do setor surgiram do lado de fora das escolas especializadas.
A propósito, o editorial do propmark de 25/02, cujo título perguntava 'Regulamentar para quê?', aconselhava não nos esquecermos de que 'a propaganda brasileira deve seus melhores momentos a psicólogos, sociólogos, jornalistas, filósofos, antropólogos, bacharéis em letras, artistas plásticos e outros especialistas em ciências humanas e, por que não, a muitos engenheiros, advogados e médicos.'
Esse registro histórico lembrado pelo jornal era concluído categoricamente: 'Gente, portanto, com bagagem cultural suficiente para dar substÂncia retórica a uma atividade que vive, essencialmente, de convencer pessoas.'
Mais adiante, o editorial do jornal opinava de forma definitiva: 'A recorrente e sempre frustrada tentativa de regulamentar a profissão não leva em conta que a publicidade, mais do que uma profissão, é uma comunhão de saberes diversos. Essa é a sua natureza.'
Fico imaginando profissionais como Marcello Serpa, Washington Olivetto, Nizan Guanaes, Alexandre Gama, Fabio fernandes e tantos outros que têm feito o Brasil brilhar dentro e fora das suas fronteiras, galgando o pódio das melhores premiações do mercado, ao se defrontarem lá em cima com um fiscal do Ministério do Trabalho exigindo seus diplomas profissionais.
Imagine por sua vez o leitor, Bill Bernbach regulamentado para criar o célebre 'Think Small', da Volks...
As escolas de Comunicação devem ser prestigiadas e consideradas como um bem para todo o mercado. Trata-se aqui do aprimoramento necessário que o futuro profissional necessita. Mas nada de reserva de mercado, que só leva à rebaixa de qualidade, pela formação de uma casta de trabalhadores sem grande motivação competitiva.
O Brasil cartorial cansou de demonstrar ao longo de muitas décadas sua gritante incompetência. O novo milênio exige mais esforço e talento em todas as áreas de atividades e isso não se adquire na perseguição ao diploma universitário. As escolas servem para lapidar essas qualidades, porém sem exclusividade."
(Texto publicado na edição 684/53 da revista Propaganda)

6 comentários:

romeu disse...

ainda não consegui definir de que lado estou. concordo com coisas dos dois textos.

Rafael Fontes disse...

Esta é realmente uma questão difícil de opinar imparcialmente sem a nossa própria influência como acadêmicos. Claro, jogamos no time dos prós, mas não só por este motivo é pertinente defender a regulamentação.

Porquê?
Acredito que o sr. Armando Ferrentini esteja certo ao afirmar que grandes talentos teriam remanescidos do lado de fora da história da propaganda brasileira se houvesse uma regulamentação, no entanto, também creio que seu relógio parou no tempo.

Na época destes "dinossauros" (que a carapuça sirva conforme a interpretação do elogio), a profissão era um tanto recente. Na escassez do mercado não havia competição de renomes, e quem dispunha do domínio da técnica da propaganda se destacava.

Atualmente, a realidade da graduação e do nivel superior no Brasil em paralelo à abundância de cursos profissionalizantes de publicidade permite que um sem fim de baicharéis tenham acesso à um cargo do setor sem o devido saber da profissão. Imagine então toda esta leva de "publicitários" sem o "filtro" do diploma?

Ora, se não confiamos nossa saúde à curandeiros que não possuem diplomas de medicina, porque vamos jogar a sorte de nossos investimentos nas mãos de quem sequer conhece o significado das cores? Não seria como diagnosticar uma dor de barriga como câncer e sugerir água sanitária como cura?

A regulamentação vem em boa hora. Que sirva de estímulo à melhoria dos cursos de propaganda, à capacitação dos profissionais já atuantes, e à boa qualidade da propaganda, fruto de um setor formado por quem sabe que não basta apenas o talento.

Portanto, deixo claro que, incondicionalmente, estou ao lado de Elóy Simões e os ComGurus.

Jana disse...

Pois é, pessoal. Também acho que a defesa dos "contra" não leva em consideração a época em que surgiram os grandes nomes citados... E o projeto de lei, que está no site dos ComGurus, não proíbe de jeito nenhum a prática de quem não é publicitário, como o artigo faz parecer. De todo modo, o mais grave é a gente, publicitários e objeto da tal controvérsia, não estarmos nem um pouco ligados...
Um beijo a todos.

Everson disse...

Concordo com o Rafa Fontes e, inclusive, ia fazer menção também a curandeiros. Por mais talentoso que seja, você não vai deixar o seu vizinho operar seu cérebro ou mesmo fazer um diagnóstico simples (apesar de que tem muita gente por aí que faz isso mesmo).

Esses grandes nomes do passado, que contribuiram tanto para a criatividade da nossa publicidade, surgiram em uma época em que fazer uma graduação em publicidade não era ao menos uma opção.

Hoje em dia, com a difusão e disseminação dos cursos de Publicidade e Propaganda pelo país, não há justificativa para que esse comportamento se perpetue. Tem talento? Faz uma faculdade. Só vai trazer ainda mais benefícios para o profissional.

Everson disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diogo Gomes disse...

Isso parece birra de criança tola que não quer acordar cedo pra ir pra aula.

Afinal, não custa nada aos atuantes na área adquirirem um diploma do curso de publicidade, são apenas 4 anos em uma faculdade.

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